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Direito do Consumidor · Imóveis

Construtora atrasou a entrega do imóvel

O contrato pode prever até cento e oitenta dias de tolerância na entrega do imóvel em construção. Passado esse prazo, se o comprador não deu causa ao atraso, pode desfazer o contrato e receber tudo o que pagou, com a multa prevista, em até sessenta dias, ou manter o negócio e receber um por cento do valor pago por mês de atraso.

Contexto essencial

A Lei nº 13.786/2018 inseriu o artigo 43-A na Lei nº 4.591/1964 e organizou o tratamento do atraso na entrega de imóvel adquirido em incorporação imobiliária. O dispositivo autoriza expressamente a cláusula de tolerância, com limite de cento e oitenta dias corridos, desde que pactuada de forma clara e informada com destaque no contrato.

Vencido o prazo de tolerância sem a entrega, e desde que o comprador não tenha dado causa ao atraso, ele passa a ter duas opções. A primeira é desfazer o contrato e receber a integralidade do que pagou, com a multa estabelecida no contrato, em até sessenta dias corridos contados do desfazimento, com correção. A segunda é manter o contrato e receber, por ocasião da entrega, indenização de um por cento do valor efetivamente pago por mês de atraso, se estiver em dia com as parcelas. As duas indenizações não se somam.

A data que conta é a da entrega efetiva das chaves em condições de uso, não a da expedição do habite-se nem a da assembleia de instalação do condomínio. Notificações, atas e comunicados da construtora são as provas que fixam essa data.

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A cláusula de tolerância de cento e oitenta dias é válida

É válida dentro do limite legal. O artigo 43-A da Lei nº 4.591/1964, incluído pela Lei nº 13.786/2018, autoriza a prorrogação de até cento e oitenta dias corridos sobre a data prevista de entrega, desde que expressamente pactuada e informada de forma destacada no contrato.

O que a lei não autoriza é a prorrogação indefinida, a sucessão de novos prazos de tolerância ou a cláusula escondida no corpo do contrato sem destaque. Esses três pontos são objeto concreto de contestação.

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O que o comprador pode exigir quando o atraso ultrapassa a tolerância

Se o comprador não deu causa ao atraso, o artigo 43-A da Lei nº 4.591/1964 lhe dá a escolha entre desfazer o contrato, recebendo de volta tudo o que pagou, corrigido e com a multa prevista no contrato, em até sessenta dias corridos, ou manter o negócio e receber, na entrega, indenização de um por cento do valor efetivamente pago por mês de atraso, desde que esteja em dia. A lei não permite somar as duas.

A escolha é do comprador e tem consequências distintas. Desfazer devolve o capital, mas encerra o negócio. Manter preserva o imóvel e converte o atraso em indenização mensal. A decisão depende da situação financeira, do estágio da obra e do que o comprador pretende com o imóvel.

SituaçãoO que a lei prevê
Dentro do prazo de tolerânciaNão há atraso juridicamente relevante
Após a tolerância, comprador desfaz o contratoRestituição integral do que foi pago, corrigida, com a multa do contrato, em até 60 dias
Após a tolerância, comprador mantém o contratoIndenização de 1% do valor pago por mês de atraso, na entrega, ao comprador em dia
Consequências previstas no artigo 43-A da Lei nº 4.591/1964, incluído pela Lei nº 13.786/2018, quando o comprador não deu causa ao atraso. As duas indenizações não se somam.
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O atraso nos contratos do Minha Casa, Minha Vida

Nos contratos de compra de imóvel na planta do Programa Minha Casa, Minha Vida, para as faixas de renda 1,5, 2 e 3, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou regras próprias em recurso repetitivo (Tema 996, 2019). O prazo de entrega precisa ser certo e não pode ficar vinculado à concessão do financiamento nem a outro negócio, salvo a tolerância.

Passado o prazo, contada a tolerância, o prejuízo do comprador é presumido: ele não precisa provar que pagou aluguel em outro lugar, e a indenização corresponde ao aluguel mensal de um imóvel semelhante, até a data em que a posse lhe é entregue. A partir do mesmo momento, é ilícito cobrar dele juros de obra ou encargo equivalente, e a correção do saldo devedor pelo índice da construção civil, como o INCC, deve ser trocada pelo IPCA, salvo se este for mais gravoso ao consumidor.

O Tema 996 foi fixado para os contratos do programa e não se estende automaticamente aos demais. Nos contratos assinados depois da Lei do Distrato, a lei também prevê a indenização de um por cento do valor pago por mês de atraso (artigo 43-A, parágrafo 2º), e a forma de conciliar as duas regras precisa ser examinada em cada contrato.

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O atraso nos contratos anteriores à Lei do Distrato

A Lei do Distrato, que criou o artigo 43-A, entrou em vigor em 28 de dezembro de 2018 e, para o Superior Tribunal de Justiça, não alcança os contratos assinados antes dela (REsp 1.723.519, 2019). Para esses contratos, a Segunda Seção do tribunal fixou em 2019, em recursos repetitivos, duas teses sobre a multa por atraso, sem aplicar diretamente a nova lei (Temas 970 e 971).

Se o contrato de adesão previa multa só para o atraso do comprador, essa cláusula deve servir de base para a indenização quando quem atrasa é a construtora. Como as obrigações das partes são diferentes, entregar o imóvel de um lado e pagar o preço do outro, o valor é convertido em dinheiro por arbitramento judicial (Tema 971).

Quando o contrato já prevê multa para o atraso da construtora, fixada em valor equivalente ao aluguel, essa multa indeniza o atraso e, em regra, não se soma aos lucros cessantes, isto é, ao que o comprador deixou de ganhar com o imóvel no período (Tema 970).

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A data que marca a entrega do imóvel

A entrega se caracteriza pela disponibilização efetiva do imóvel ao comprador, em condições de uso, com a entrega das chaves. A expedição do habite-se é etapa administrativa relevante, mas não substitui a entrega, e a convocação para assembleia de instalação do condomínio também não. Nos contratos do Minha Casa, Minha Vida, o Superior Tribunal de Justiça fixou como termo final da indenização a data em que a posse direta do imóvel é disponibilizada ao comprador (Tema 996).

Guardar as comunicações da construtora sobre cronograma, adiamentos e convocações é o que permite reconstruir a linha do tempo. Sem esses documentos, a discussão sobre quantos meses de atraso existiram fica sem base.

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O que costuma acontecer na prática

Na prática, o momento mais delicado é a assinatura do termo de entrega das chaves. Não é incomum que o documento contenha quitação ampla, com renúncia a pedidos relacionados ao atraso. Assinar sem ler transforma um direito discutível em discussão muito mais difícil.

O segundo ponto recorrente é a correção do saldo devedor durante o período de atraso. Ela costuma continuar correndo normalmente, e o comprador só percebe o efeito ao receber o cálculo final.

Documentos que ajudam na análise

Não é preciso ter todos para relatar o caso. Envie o que tiver; o escritório diz o que falta.

  • 01Contrato de compra e venda ou promessa de compra e venda, completo e com anexos
  • 02Quadro-resumo exigido pela Lei nº 13.786/2018
  • 03Memorial de incorporação e o respectivo registro
  • 04Toda comunicação da construtora sobre prazo, cronograma e adiamento
  • 05Comprovantes de todos os pagamentos feitos, com datas
  • 06Comprovante de despesas suportadas por causa do atraso, como aluguel
  • 07Termo de entrega de chaves, se já assinado
  • 08Extratos do financiamento com os juros de obra, se o contrato for do Minha Casa, Minha Vida

Erros comuns

  • Assinar o termo de entrega de chaves com cláusula de quitação ampla sem ler
  • Contar o atraso a partir do habite-se, e não da entrega efetiva das chaves
  • Descartar e-mails e comunicados da construtora sobre adiamento de cronograma
  • Aceitar novo prazo de tolerância além do limite legal de cento e oitenta dias
  • Deixar de guardar comprovante do aluguel pago enquanto o imóvel não foi entregue
  • Não conferir, no Minha Casa, Minha Vida, se os juros de obra continuaram sendo cobrados depois do prazo
  • Aplicar a um contrato anterior a dezembro de 2018 as regras da Lei do Distrato

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As perguntas já são sobre atraso na entrega. São poucas, e a resposta do escritório chega pelo WhatsApp.

  • Análise e retorno em até 24 horas, pelo WhatsApp
  • Atendimento em todo o país, por WhatsApp e videoconferência
  • As informações ficam sob sigilo profissional
  • O envio não cria relação entre advogado e cliente

Perguntas frequentes

  • A construtora alegou falta de material e chuva. Isso justifica o atraso?

    A alegação precisa ser demonstrada e confrontada com o cronograma e com as condições do período. O prazo de tolerância de cento e oitenta dias existe justamente para absorver as intercorrências ordinárias da construção. Alegações genéricas, sem prova, não deslocam a responsabilidade prevista no artigo 43-A da Lei nº 4.591/1964.

  • Posso continuar pagando as parcelas enquanto discuto o atraso?

    A decisão sobre suspender pagamentos tem consequências contratuais próprias e não deve ser tomada isoladamente. Interromper o pagamento pode caracterizar inadimplência e mudar a posição do comprador na discussão. A análise precisa considerar o contrato, o estágio da obra e a via escolhida.

  • Já recebi as chaves. Ainda posso discutir o atraso?

    Pode, e o ponto central passa a ser o conteúdo do termo assinado na entrega. Se ele contém quitação ampla, a discussão se desloca para a validade dessa cláusula. Por isso a leitura atenta do termo, antes da assinatura, é o momento de maior impacto de todo o processo.

  • Meu imóvel é do Minha Casa, Minha Vida. O que muda no atraso?

    Nos contratos das faixas 1,5, 2 e 3, o Superior Tribunal de Justiça fixou que, passado o prazo de entrega com a tolerância, o prejuízo é presumido e a indenização corresponde ao aluguel de um imóvel semelhante até a entrega da posse. No mesmo período, não podem ser cobrados juros de obra, e a correção pelo índice da construção civil dá lugar ao IPCA, salvo se este for mais gravoso (Tema 996).

  • Assinei o contrato antes de dezembro de 2018. As regras do atraso são as mesmas?

    Não. Para o Superior Tribunal de Justiça, a Lei do Distrato não alcança os contratos anteriores a ela. Nesses, a multa prevista só contra o comprador deve servir de base para indenizar o atraso da construtora (Tema 971), e a multa por atraso fixada em valor equivalente ao aluguel, em regra, não se soma aos lucros cessantes (Tema 970).

  • Preciso estar em Campo Grande para ser atendido?

    Não. O escritório fica em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e o atendimento acontece por WhatsApp, e-mail e videoconferência. Os casos de voo, em especial, envolvem rotineiramente pessoas em outros estados.

  • Como são definidos os honorários?

    Honorários são combinados antes de qualquer providência e registrados em contrato escrito, com o escopo do trabalho e as condições. Enquanto não há contrato assinado, o escritório não assume a causa nem prazos em curso.

Está enfrentando um problema com imóvel ou aluguel?

A primeira conversa serve para entender o que aconteceu e dizer se há caminho jurídico e qual é. Se não houver, você fica sabendo ali mesmo, com o motivo.

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