Nos contratos de compra de imóvel na planta do Programa Minha Casa, Minha Vida, para as faixas de renda 1,5, 2 e 3, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou regras próprias em recurso repetitivo (Tema 996, 2019). O prazo de entrega precisa ser certo e não pode ficar vinculado à concessão do financiamento nem a outro negócio, salvo a tolerância.
Passado o prazo, contada a tolerância, o prejuízo do comprador é presumido: ele não precisa provar que pagou aluguel em outro lugar, e a indenização corresponde ao aluguel mensal de um imóvel semelhante, até a data em que a posse lhe é entregue. A partir do mesmo momento, é ilícito cobrar dele juros de obra ou encargo equivalente, e a correção do saldo devedor pelo índice da construção civil, como o INCC, deve ser trocada pelo IPCA, salvo se este for mais gravoso ao consumidor.
O Tema 996 foi fixado para os contratos do programa e não se estende automaticamente aos demais. Nos contratos assinados depois da Lei do Distrato, a lei também prevê a indenização de um por cento do valor pago por mês de atraso (artigo 43-A, parágrafo 2º), e a forma de conciliar as duas regras precisa ser examinada em cada contrato.