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Direito do Consumidor · Imóveis

Distrato do contrato de compra do imóvel

Pela Lei do Distrato, a construtora pode reter até 25% do valor pago, além da corretagem, ou até 50% com patrimônio de afetação, limite em julgamento no STJ (Tema 1.466). Nos contratos de consumo, a Terceira Turma do STJ limita a soma dos descontos a 25% do que foi pago, salvo o valor pelo uso do imóvel (taxa de fruição).

Contexto essencial

A Lei nº 13.786/2018 incluiu o artigo 67-A na Lei nº 4.591/1964 e organizou o desfazimento do contrato de aquisição de unidade em incorporação imobiliária. Antes dela, a matéria era resolvida caso a caso; hoje existe parâmetro legal expresso sobre o que pode ser retido e sobre o prazo de devolução.

O regime de patrimônio de afetação, em que a obra fica separada do patrimônio da construtora, é o divisor. Quando o empreendimento está submetido a ele, a lei permite que a pena chegue a 50% da quantia paga, limite hoje em julgamento no Superior Tribunal de Justiça, e a devolução deve ocorrer em até 30 dias depois do habite-se. Fora dele, o limite é de 25%, e o saldo é pago em parcela única, 180 dias depois do desfazimento. Verificar o registro do empreendimento é, portanto, o primeiro passo do cálculo.

Além da pena, a lei trata das deduções admitidas, entre elas a comissão de corretagem e, se o comprador chegou a receber o imóvel, a fruição, de 0,5% ao mês sobre o valor atualizado do contrato. Somar deduções sem base contratual e legal é o erro mais frequente nas planilhas apresentadas ao comprador.

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Quanto a construtora pode reter no distrato

Até 25% da quantia paga, a título de pena convencional, além da integralidade da comissão de corretagem (artigo 67-A, incisos I e II, da Lei nº 4.591/1964). Se a incorporação estiver submetida ao regime de patrimônio de afetação, a pena pode chegar a 50% (parágrafo 5º). A verificação desse regime é feita no registro da incorporação, junto ao cartório de registro de imóveis.

A retenção incide sobre o valor efetivamente pago pelo comprador, e não sobre o valor total do contrato: descontos e retenções ficam limitados ao que foi pago, salvo a fruição (parágrafo 4º). Confundir as duas bases de cálculo é o que produz as maiores distorções nas planilhas de acerto.

Nos contratos de consumo, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, em 2025, que o Código de Defesa do Consumidor prevalece sobre a Lei do Distrato: os descontos previstos na lei podem ser feitos, mas a soma deles não pode passar de 25% do que foi pago, com exceção da taxa de fruição (REsp 2.106.548 e outros três recursos, julgados em conjunto). O entendimento foi aplicado em decisão de 2026 que manteve uma retenção de 15% (REsp 2.256.060).

O limite de 50% está em julgamento. Em 2026, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça afetou o Tema 1.466 dos recursos repetitivos para definir se, nos contratos com patrimônio de afetação firmados depois da Lei do Distrato, a rescisão por inadimplemento do comprador autoriza a retenção de até 50% do que foi pago. Até o julgamento, não há tese firmada, e os recursos especiais e os agravos sobre a questão ficam suspensos. O tribunal também vai definir o percentual e a base de cálculo da retenção nos lotes vendidos depois da Lei do Distrato (Tema 1.464) e nos contratos de imóvel anteriores a ela (Tema 1.465).

Há ainda uma forma de sair sem a pena: a cláusula penal não incide se o comprador que quer desfazer o contrato encontrar um substituto que assuma os mesmos direitos e obrigações, desde que a incorporadora concorde e aprove o cadastro e a capacidade financeira dele (artigo 67-A, parágrafo 9º).

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Quais deduções a lei admite além da retenção

Se o comprador chegou a ter o imóvel à disposição, a lei admite descontar os impostos sobre o imóvel, as cotas de condomínio, a fruição, equivalente a 0,5% do valor atualizado do contrato por mês, proporcional aos dias, e os demais encargos e despesas previstos no contrato (artigo 67-A, parágrafo 2º). Cada dedução precisa de base contratual e de demonstração do valor.

Dedução apresentada como percentual redondo, sem memória de cálculo, não permite conferência. Pedir a planilha discriminada é uma etapa concreta antes de aceitar qualquer acerto.

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Em quanto tempo o valor precisa ser devolvido

Com patrimônio de afetação, a devolução deve ocorrer em até 30 dias depois do habite-se ou documento equivalente (parágrafo 5º). Sem ele, o saldo é pago em parcela única, 180 dias depois do desfazimento (parágrafo 6º). Se a unidade for revendida antes desses prazos, o valor devido ao comprador deve ser pago em até 30 dias da revenda (parágrafo 7º).

A diferença é relevante para o planejamento financeiro do comprador: em um dos cenários, a devolução pode demorar bem mais do que ele imagina ao assinar o distrato.

Ponto do acertoO que conferir
Base de cálculoIncide sobre o valor efetivamente pago, não sobre o valor do contrato
PenaAté 25% do que foi pago; até 50% com patrimônio de afetação, limite em julgamento no STJ (Tema 1.466)
CorretagemPode ser descontada, pela lei; nos contratos de consumo, a Terceira Turma do STJ limita a soma dos descontos a 25% do valor pago
Deduções pelo uso do imóvelImpostos, condomínio e fruição de 0,5% ao mês, se houve posse
Prazo de devolução30 dias após o habite-se, com afetação; 180 dias após o desfazimento, sem ela; 30 dias da revenda, se ela vier antes
Pontos de conferência da planilha de distrato, pelo artigo 67-A da Lei nº 4.591/1964, incluído pela Lei nº 13.786/2018.
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Contratos assinados antes da Lei do Distrato

A Lei do Distrato entrou em vigor em 28 de dezembro de 2018 e não alcança os contratos assinados antes dela. Para esses, segue valendo a Súmula 543 do Superior Tribunal de Justiça, como decidiu o tribunal no REsp 1.723.519, em 2019: nos contratos de consumo, a devolução das parcelas deve ser imediata, integral se a culpa pelo desfazimento foi só da vendedora ou da construtora, e parcial se foi o comprador quem deu causa.

Na desistência do comprador, a jurisprudência do STJ usava para esses contratos o parâmetro de retenção de 25% do que foi pago (REsp 1.723.519). O percentual e a base de cálculo estão agora em julgamento no Tema 1.465, ainda sem tese firmada.

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O que costuma acontecer na prática

Na prática, o comprador recebe uma planilha pronta, com um valor final, e é chamado a assinar em uma janela curta. A planilha raramente separa a retenção das demais deduções, o que impede conferir se o limite legal foi respeitado.

Pedir a memória de cálculo por escrito, antes de assinar, é a medida de maior efeito prático. Ela transforma um número fechado em itens verificáveis, e é o que permite discutir cada um deles.

Documentos que ajudam na análise

Não é preciso ter todos para relatar o caso. Envie o que tiver; o escritório diz o que falta.

  • 01Contrato de compra e venda ou promessa, com todos os aditivos
  • 02Quadro-resumo exigido pela Lei nº 13.786/2018
  • 03Certidão de registro da incorporação, que indica o regime de patrimônio de afetação
  • 04Comprovantes de todos os pagamentos, com datas e valores
  • 05Planilha de distrato apresentada pela construtora, com a memória de cálculo
  • 06Recibo da comissão de corretagem, quando houver
  • 07Comunicações trocadas sobre o pedido de desfazimento

Erros comuns

  • Assinar o distrato sem pedir a memória de cálculo discriminada
  • Aceitar retenção calculada sobre o valor do contrato, e não sobre o valor pago
  • Não verificar se o empreendimento está submetido a patrimônio de afetação
  • Aceitar deduções sem base contratual e sem demonstração do valor
  • Desconhecer o prazo real de devolução, que pode estar vinculado ao habite-se
  • Pedir o distrato sem considerar a indicação de um comprador substituto, que afasta a multa

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Etapa 1 de 5

Em que etapa está o imóvel?

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  • Análise e retorno em até 24 horas, pelo WhatsApp
  • Atendimento em todo o país, por WhatsApp e videoconferência
  • As informações ficam sob sigilo profissional
  • O envio não cria relação entre advogado e cliente

Perguntas frequentes

  • A cláusula do meu contrato prevê retenção de metade do que paguei. Isso vale?

    A lei só admite retenção de até metade quando o empreendimento tem patrimônio de afetação, constituído no registro da incorporação. Sem ele, o limite da pena é de 25% do que foi pago, além da corretagem (artigo 67-A da Lei nº 4.591/1964), e a cláusula acima disso pode ser contestada. Mesmo com patrimônio de afetação, a validade dos 50% está em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (Tema 1.466), ainda sem tese firmada, e a Terceira Turma do tribunal limita a 25% do valor pago a soma dos descontos nos contratos de consumo. A conferência começa pela certidão de registro da incorporação e pelo quadro-resumo do contrato.

  • Desisti porque perdi o financiamento. Muda alguma coisa?

    Pode mudar. A causa do desfazimento influencia a análise, e situações em que a negativa de financiamento decorre de fato não imputável ao comprador recebem tratamento distinto do arrependimento puro. A documentação da negativa e das tratativas com a instituição financeira integra o exame.

  • Encontrei alguém para ficar com o imóvel no meu lugar. Ainda pago a multa?

    Não, se a incorporadora concordar com a troca e aprovar o cadastro e a capacidade financeira do novo comprador, que assume o contrato com os mesmos direitos e obrigações. Nesse caso, a lei afasta a cláusula penal (artigo 67-A, parágrafo 9º, da Lei nº 4.591/1964). Vale fazer o pedido por escrito, com os dados do substituto.

  • Assinei o contrato antes da Lei do Distrato, de dezembro de 2018. As regras dela valem para mim?

    Não. Para o Superior Tribunal de Justiça, a Lei do Distrato não alcança os contratos assinados antes de 28 de dezembro de 2018, que seguem a Súmula 543: devolução imediata, integral se a culpa foi só da vendedora ou da construtora, e parcial se o comprador deu causa ao desfazimento. O percentual retido na desistência do comprador está em julgamento no Tema 1.465.

  • O contrato tem alienação fiduciária registrada. É o mesmo caso?

    Não necessariamente. O Superior Tribunal de Justiça, no Tema 1.095, firmou que a resolução do contrato de compra e venda de imóvel com pacto de alienação fiduciária devidamente registrado segue o rito da Lei nº 9.514/1997. A análise começa, portanto, pela verificação do registro da garantia.

  • Preciso estar em Campo Grande para ser atendido?

    Não. O escritório fica em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e o atendimento acontece por WhatsApp, e-mail e videoconferência. Os casos de voo, em especial, envolvem rotineiramente pessoas em outros estados.

  • Como são definidos os honorários?

    Honorários são combinados antes de qualquer providência e registrados em contrato escrito, com o escopo do trabalho e as condições. Enquanto não há contrato assinado, o escritório não assume a causa nem prazos em curso.

Fontes normativas

Conferido nas fontes oficiais em

Texto revisado por Thiago de Freitas Pinazo, OAB/MS nº 19.995, em

Correção em

Incluído que o limite de 50% com patrimônio de afetação está em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (Tema 1.466, afetado em 2026), ainda sem tese firmada; que a Terceira Turma do tribunal limita a 25% do valor pago a soma dos descontos nos contratos de consumo, salvo a taxa de fruição; e que o tribunal também vai definir o percentual e a base de cálculo da retenção nos lotes (Tema 1.464) e nos contratos anteriores à Lei do Distrato (Tema 1.465).

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