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Direito do Consumidor · Planos de Saúde

Plano de saúde negou a cobertura: o que fazer

Quando a operadora nega a cobertura de um procedimento, ela deve informar a recusa por escrito, com a cláusula do contrato ou a norma que a justifica, mesmo que o beneficiário não peça. A negativa formal e o relatório médico são as duas peças que permitem qualquer análise posterior, inclusive a reanálise pela Ouvidoria da operadora.

Contexto essencial

A cobertura assistencial dos planos de saúde é regida pela Lei nº 9.656/1998 e pelas normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sem afastar a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. A negativa precisa ser motivada e, pela Resolução Normativa nº 623/2024 da ANS, registrada por escrito independentemente de pedido: recusa genérica, dada apenas por telefone e sem indicação do fundamento, não cumpre a norma.

A Lei nº 14.454/2022 alterou a Lei nº 9.656/1998 e estabeleceu que o rol de procedimentos da ANS é referência básica de cobertura. Em 18 de setembro de 2025, no julgamento da ADI 7265, o Supremo Tribunal Federal fixou os requisitos para a cobertura de tratamento fora do rol: são cinco, e todos precisam estar presentes ao mesmo tempo.

Nem toda negativa é indevida. A análise depende do tipo de contrato, da segmentação assistencial contratada, do cumprimento das carências, da fundamentação do pedido médico e do motivo declarado pela operadora. É por isso que a recusa por escrito é o ponto de partida, e não um detalhe burocrático.

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A operadora é obrigada a dar a negativa por escrito

Sim, e sem que o beneficiário precise pedir. A Resolução Normativa nº 623/2024 da ANS obriga a operadora a registrar a negativa por escrito e a informá-la em detalhe, em linguagem clara, dentro do prazo de resposta, indicando a cláusula contratual ou o dispositivo legal que a justifica (artigo 14). O documento deve estar disponível em formato que permita a impressão. Se a recusa vier só por telefone, vale anotar o protocolo e pedir o documento.

O beneficiário também pode pedir a reanálise da negativa à Ouvidoria da operadora, que tem até sete dias úteis, contados do pedido, para responder (artigo 16). E a negativa escrita não é formalidade sem efeito: ela obriga a operadora a assumir um fundamento específico, o que delimita a discussão e impede que o motivo mude ao longo do tempo.

02

O procedimento não está no rol da ANS. Isso encerra a discussão

Não necessariamente. No julgamento da ADI 7265, em 18 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a operadora deve cobrir tratamento fora do rol quando cinco requisitos estão presentes ao mesmo tempo: prescrição por médico ou dentista assistente; ausência de negativa expressa da ANS e de análise pendente para inclusão no rol; inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol; comprovação científica de eficácia e segurança; e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O relatório médico é decisivo nessa etapa. Ele precisa descrever o quadro clínico, indicar o procedimento prescrito, justificar tecnicamente a indicação e explicar por que as alternativas do rol não atendem ao paciente, com as referências científicas que sustentam a eficácia e a segurança do tratamento.

03

Quais são os prazos que a operadora precisa cumprir

A ANS fixa prazos máximos de atendimento conforme o tipo de serviço, do atendimento em consultório aos procedimentos de alta complexidade. Esses prazos são públicos e constam do portal da agência, e o descumprimento é fundamento autônomo de reclamação, independentemente do mérito da negativa.

Registrar a data do pedido, a data da resposta e o número de protocolo é o que permite demonstrar o descumprimento. Sem essas datas, a demora vira alegação sem prova.

04

O que costuma acontecer na prática

Na prática, uma parcela relevante das negativas se resolve antes de qualquer discussão judicial, pela via administrativa. A Notificação de Intermediação Preliminar da ANS aciona a operadora com prazo de resposta e produz, além do resultado, um registro documental do que foi pedido, do que foi negado e de quando.

O segundo ponto recorrente é a urgência. Quando existe procedimento marcado ou paciente internado, o fator tempo redefine a estratégia, e a demora em reunir os documentos custa mais do que qualquer outra etapa.

Documentos que ajudam na análise

Não é preciso ter todos para relatar o caso. Envie o que tiver; o escritório diz o que falta.

  • 01Negativa por escrito, com a indicação do fundamento e o número de protocolo
  • 02Relatório médico fundamentado, com data, assinatura e registro profissional
  • 03Prescrição, pedido de exame ou indicação cirúrgica
  • 04Carteirinha do plano e contrato, com a segmentação assistencial contratada
  • 05Comprovantes de pagamento das mensalidades
  • 06Histórico de atendimento, exames anteriores e laudos que sustentem a indicação
  • 07Registro de todos os protocolos de contato com a operadora, com datas

Erros comuns

  • Aceitar a negativa dada por telefone sem pedir o documento que a operadora é obrigada a entregar
  • Apresentar apenas a receita, sem relatório médico que justifique tecnicamente a indicação
  • Perder as datas dos pedidos e das respostas, o que inviabiliza demonstrar a demora
  • Custear o procedimento por conta própria sem antes documentar a recusa da operadora
  • Deixar de registrar reclamação na ANS, perdendo um canal de prova e de solução

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Perguntas frequentes

  • A operadora pode exigir uma segunda opinião médica?

    A operadora pode submeter o pedido a análise de seu corpo clínico e, havendo divergência técnica com o médico assistente, existe procedimento próprio de junta médica previsto na regulação da ANS. O que não se admite é a recusa sem fundamentação, nem a substituição da indicação do médico assistente por decisão administrativa sem esse procedimento.

  • Paguei o procedimento do próprio bolso. Posso pedir reembolso?

    A discussão sobre reembolso depende de a negativa ter sido indevida e de existir prova de que ela ocorreu antes do pagamento. Por isso a ordem importa: documentar a recusa, e só então decidir sobre custear. Notas fiscais, comprovantes de pagamento e a negativa formal são os documentos centrais do pedido.

  • Meu procedimento está marcado para a semana que vem. Dá tempo?

    Depende do que já está documentado. Com a negativa por escrito e o relatório médico em mãos, é possível avaliar o pedido de decisão provisória, chamado tutela de urgência, previsto no artigo 300 do Código de Processo Civil, que pode obrigar a operadora a autorizar antes do fim do processo. Sem esses dois documentos, a análise não avança.

  • Posso pedir que a própria operadora reveja a negativa?

    Pode. A Resolução Normativa nº 623/2024 da ANS garante ao beneficiário o direito de pedir a reanálise à Ouvidoria da operadora, que responde em até sete dias úteis contados do pedido (artigo 16). A operadora precisa informar essa possibilidade e os canais da Ouvidoria. Guarde o protocolo do pedido.

  • Preciso estar em Campo Grande para ser atendido?

    Não. O escritório fica em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e o atendimento acontece por WhatsApp, e-mail e videoconferência. Os casos de voo, em especial, envolvem rotineiramente pessoas em outros estados.

  • Como são definidos os honorários?

    Honorários são combinados antes de qualquer providência e registrados em contrato escrito, com o escopo do trabalho e as condições. Enquanto não há contrato assinado, o escritório não assume a causa nem prazos em curso.

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A primeira conversa serve para entender o que aconteceu e dizer se há caminho jurídico e qual é. Se não houver, você fica sabendo ali mesmo, com o motivo.

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