A diferença entre vício aparente e vício oculto
Vício aparente é o que se percebe com facilidade na vistoria: acabamento malfeito, piso trincado, porta que não fecha, item do projeto que não foi entregue. Para ele, o prazo de noventa dias conta da entrega efetiva do imóvel (Código de Defesa do Consumidor, artigo 26, inciso II e parágrafo 1º). O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a responsabilidade da construtora pelos vícios aparentes não termina no recebimento das chaves (REsp 1.721.694, Terceira Turma, 2020).
Já o vício oculto só aparece com o uso, como a infiltração que surge meses depois ou a trinca que avança. Para ele, os noventa dias começam quando o defeito fica evidente (artigo 26, parágrafo 3º). O STJ adota, nesse caso, o critério da vida útil do bem, e não o do prazo de garantia contratual, e atribui ao fornecedor o ônus de provar que o problema veio do mau uso (REsp 1.787.287, Terceira Turma, 2022, em caso de eletrodomésticos).
